Karina Martin

Autoestima

Uma relação pouco segura consigo mesma nem sempre parece falta de autoestima

A autoestima também aparece na forma como uma mulher sustenta escolhas, limites, desejos e a própria voz.

Karina Martin · 2 min de leitura

Uma relação pouco segura consigo mesma nem sempre parece falta de autoestima.

Ela pode aparecer quando uma mulher tem dificuldade de dizer não, sente culpa por se priorizar, precisa consultar várias pessoas antes de tomar uma decisão, muda de opinião depois de ouvir os outros, adapta-se às expectativas alheias, compara constantemente a própria vida com a de outras mulheres, sente que nunca é boa o suficiente, minimiza as próprias qualidades, desconfia da própria capacidade, cobra de si um desempenho que jamais exigiria de alguém que ama, tem dificuldade de reconhecer o próprio valor sem que alguém o confirme.

Pode aparecer quando ela teme decepcionar, evita conflitos mesmo quando algo a machuca, explica demais os próprios limites, sente culpa depois de colocá-los, confunde ser querida com estar sempre disponível, assume responsabilidades que não são suas, tenta dar conta de tudo sozinha e só percebe as próprias necessidades quando elas já estão gritando.

Pode aparecer na relação com o corpo: na comparação, na vergonha, na sensação de precisar mudar alguma coisa para finalmente se sentir suficiente, bonita ou digna de ser desejada.

Pode aparecer quando ela já não sabe muito bem o que quer, porque passou tempo demais tentando descobrir o que esperavam dela. Quando escolhe pensando primeiro em como sua decisão será recebida. Quando permanece onde já não deseja estar. Quando abandona desejos antes mesmo de tentar porque duvida da própria capacidade. Quando adia mudanças esperando sentir uma segurança que talvez só pudesse construir enquanto caminha.

Pode aparecer no medo de errar, na necessidade de fazer tudo perfeitamente, na dificuldade de começar sem garantias, na autocrítica constante e na sensação de estar sempre atrasada em relação à mulher que imaginou que deveria ser.

E pode aparecer de uma forma ainda mais silenciosa: quando uma mulher construiu uma vida aparentemente funcional, cumpre suas responsabilidades, cuida das pessoas ao redor, trabalha, resolve problemas, segue em frente — mas percebe que, no meio de tantas adaptações, deixou de reconhecer a própria voz.

Por isso, autoestima não diz respeito apenas a gostar da própria aparência ou conseguir listar qualidades.

Ela atravessa a maneira como uma mulher se percebe, reconhece o próprio valor, se relaciona com seus limites e necessidades, sustenta seus desejos, faz escolhas, lida com os próprios erros e participa da construção da vida que deseja viver.

Talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas: “Eu gosto de quem eu sou?”

“Eu consigo ser fiel, primeiro, a mim mesma enquanto vivo a minha própria vida?”

Seu próximo passo

Uma existência com sentido começa
pela relação que você constrói consigo.

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