A maioria das mulheres que chega até mim não tem falta de competência. Tem falta de permissão. Elas dão conta do trabalho, da casa, dos filhos, do casamento e da mãe que liga chorando às onze da noite — e chamam isso de força. Não é. É uma conta que só uma pessoa está pagando.
O cansaço que dormir não resolve
Existe um cansaço que passa com uma noite boa de sono. E existe outro, que você acorda com ele. Esse segundo não é físico: é o peso de estar sempre disponível, sempre resolvendo, sempre sendo a que aguenta. Ele não melhora nas férias porque ele não vem do excesso de tarefa. Vem da ausência de você dentro da própria vida.
“Você não está cansada de fazer. Você está cansada de não aparecer em lugar nenhum da própria agenda.”
Quando pergunto o que ela quer, quase sempre vem um silêncio. Não porque não saiba responder — mas porque faz tanto tempo que ninguém pergunta que a pergunta soa estranha. É nesse silêncio que o trabalho começa.
Por onde começar
Não é largando tudo. Ninguém precisa explodir a própria vida para se reencontrar. Começa por uma pergunta pequena e desconfortável: se ninguém precisasse de mim hoje, o que eu faria? Guarde a primeira resposta que vier. Ela costuma ser mais verdadeira que todas as que vêm depois.

